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quinta-feira, 27 de março de 2014

O concerto de Beyoncé em 5 pontos


  1. Depois de vários álbuns falhados, o último de Beyoncé - intitulado simplesmente Beyoncé - é o melhor da sua carreira. É uma obra-prima. Já o concerto tem a grandiosidade de uma produção de Hollywood, mas fica longe de ser inesquecível. Muitas versões falhadas, muitas canções despachadas à velocidade da luz, muitos momentos mortos.
  2. Mesmo assim Beyoncé é a artista mais completa do seu campeonato. A voz mais poderosa, a animalidade de palco, a sedução com o público. É uma máquina soul. Num dos momentos altos desta digressão, Basta ela contorcer-se um bom minuto numa chaise longue para incendiar o palco. Eu juro que até vi a chaise ficar mais longue.
  3. Ir a concertos para saltar e dançar já pertence ao passado. Hoje interessa gravar tudo, mesmo que depois não se veja nada. E com tantos telemóveis e ipads no ar, mal se vê o que vai no palco. Um deles acabou mesmo por se partir no chão. Pena não terem sido todos. 
  4. Os fãs de Beyoncé ganham, sem dúvida, no campeonato dos decibéis. Nalguns momentos, garanto que os guinchos eram mais fortes do que o de dez varas de porcos a serem mortos em simultâneo.
  5. Os fãs de Beyoncé são também os mais sensíveis. Cada vez que vinha uma balada, um gajo, ao meu lado, chorava convulsivamente. Baba e ranho. Eu também chorei muito de tanto rir. Obrigado, pá.


terça-feira, 25 de março de 2014

Binge watching: dez séries imperdíveis

Os americanos têm a expressão binge watching para quando não conseguimos parar de ver séries. É compulsivo, é uma droga. Sim, existem estudos que indicam que há mesmo uma adição em muitos de nós. Eu dependente me confesso. Eu snifo, ijeto, bebo e mastigo séries de televisão. A golden age, como já é apelidada já nos deu monumentos da cultura pop como Os Sopranos, Sete Palmos de Terra, The Wire, Lost ou Breaking Bad. Séries que elevaram a televisão a um patamar que só estava próximo do cinema. Eis 10 drogas duras, ainda em exibição, para todos os gostos. Para consumir sem contraindicações.



1. House of Cards
Frank Underwood. Decorem este nome. É um daqueles personagens bigger than life, que fala diretamente com o espetador e que o torna cúmplice de todos os golpes. É bom gostar do mau da fita e só nos podemos sentir culpados. Kevin Spacey vai levar Emmy e Globo de Ouro à conta disto. Sem esquecer uma Lady Macbeth interpetada pela atriz mais classy à face da terra, Robyn Wright.


2. True Detective
Matthew McConaughey continua imparável no seu McConaissence. Com Woody Harrelson criam uma dupla de detectives com um lado mais negro que os criminosos. Já não interessa quem matou; interessa, sim, perceber os homens que investigam os crimes. No fundo, isto não é uma série: é pura literatura.



3. Mad Men
Aproveitem agora: está prestes a estrear a última temporada da série que relata os tempos dourados da publicidade. Um period drama com John Hamm a fazer de Don Draper, mais um daqueles personagens atormentados com entrada direta no Olímpo (a acompanhar Tony Soprano e Walter White). Diálogos primorosos, retrato de época perfeito, para acompanhar com um cigarro e um whisky.


4. The Walking Dead
A série que tornou os zombies trendy. Apesar de ter momentos desiguais, consegue sempre manter-nos colados ao ecrã. Sim, há episódios brutais que valem por séries inteiras. É daquelas que mata personagens principais sem aviso. Estou a avisar.



5. Game of Thrones
Então, mas aquele é de que família, que vive onde e matou quem? Pois, é quase preciso uma cábula para perceber todos os enredos e achar o fio à meada. Mas o esforço compensa. Mais uma série de culto que mata personagens enquanto piscamos o olho. Nunca ouviu falar do Red Wedding? Bitch, please!


6. Louie
Quem procura o génio atual da comédia, pode ir à confiança. Louie, aka Louis CK, é tão sentimental como politicamente incorreto. Ele realiza, produz, escreve, interpreta histórias de um homem comum baseadas no seu quotidiano. Há sempre pedaços dos seus stand ups, não recomendáveis a meninos de coro. Quarta temporada já em maio.



7. Girls
O anti-Sexo e a Cidade. A vida não é glamourosa e esta série também não. As twenty somethings são como na vida real: dependentes dos pais, falhadas, rechonchudas e sentem-se miseráveis. Lena Dunham, a criadora da série e atriz principal, tritura estereótipos e faz-nos rir de todo o tipo de desgraças. E são muitas.


8. Orange is The New Black

Ainda no feminino, Orange mostra-nos o dia-a-dia de mulheres numa prisão. A galeria de personagens é infidável, e vamos conhecendo uma a uma através de flashbacks. Há as mais loucas, as líderes, as toxicodependentes, as sapatonas, as zen... you name it. E no meio disto tudo vai parar a wasp, que pouco sabe da vida. Mais uma série hilariante, com assinatura de Jenji Kohan.


9. The Good Wife
Por vezes cómica, por vezes dramática, por vezes romântica, por vezes cínica. Mas sempre boa. A boa mulher é Julianna Margulies, uma advogada que vai à luta depois de ser traída pelo marido, um procurador todo poderoso. Para quem gosta de twists e cliffhangers constantes este é o show a seguir.


10. Homeland
A primeira temporada foi brilhante, a segunda boa, a terceira assim, assim. Agora - SPOILER - que Brody morreu, resta saber que coelho vão os criadores tirar da cartola. É certo que a alma da série é a bipolar agente da CIA Carrie (a papa prémios Claire Daines), mas a quarta temporada, que estreia em setembro, é que vai tirar as teimas.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Truz!

Épico é passar na rua uma das tuas melhores amigas, distraída nos seus pensamentos, tu começares a cantar atrás dela, ela não te ligar nenhuma, tu dares-lhe um apalpão, ela virar-se de repente, e dar-te um sonoro estaladão.

sexta-feira, 14 de março de 2014

É, não é?


Um forte aplauso para todos os deputados que votaram contra a coadoção. A Idade Média já veio agradecer. 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Sabor a indie


Foi um dos filmes do ano para o American Film Institute. É mais uma daquelas histórias com o carimbo de baseado numa história real, que se centra no último dia de um jovem negro, que quer mudar a vida por amor à filha e à mulher grávida. Numa atuação desastrosa, desprovida de sentido, os agentes policiais matam esse sonho. E isso dá-lhe toda a gravitas. Mais um indie americano que vale o preço do bilhete.



segunda-feira, 10 de março de 2014

It runs in the family

Conversa, via telemóvel, entre mãe e o meu irmão:
- Filho, consegues vir buscar-me, que fui às compras e estou carregada de coisas.
- Se estás carregada, chama um burro. 
- É o que estou a fazer...

quinta-feira, 6 de março de 2014

Entretanto numa sessão pública...

Gabriela Ventura, dirigente do Ministério da Agricultura, gestora do PRODER, numa sessão pública de esclarecimento para agricultores.

terça-feira, 4 de março de 2014

Este não é apenas mais um filme de guerra

No final do ano, quando estreou nos EUA, ainda houve quem apostasse em nomeações para este filme. Mas depois de o vermos, percebemos que não tinha hipótese. Há cenas tão brutais, que quase roçam o torture porn. Mas é o intenso realismo que o tira da banalidade em que cairam este filmes de guerra contemporâneos. Uma missão no Afeganistão em que tudo correu mal. E que é baseada em factos reais. O ótimo realizador Peter Berg, depois do deslize Battleship, voltou aos grandes filmes.

Que raio de nome é que me chamaria o Travolta?

Na cerimónia de domingo (que continua a fazer jorrar memes e gifs geniais), John Travolta, que parecia a cópia do seu boneco de cera, chamou ao palco a famosa cantora da Broadway Idina Menzel. Que na sua boca ficou algo como Adele Dazeem. Se fosse o ator a apresentar-me nos Óscares, o que seria?
Para que ninguém fiqeu com esta dúvida existencial na cabeça, já pode travoltizar o seu nome, basta ir aqui:
Que raio de nome é que me chamaria o Travolta?
Boa sorte!

segunda-feira, 3 de março de 2014

It runs in the family

Sobrinha de 9 anos vira-se para o  meu irmão e pergunta-lhe:
Pai, já viste aquela história do filho que atirou a mãe de um 8º andar? Eras capaz de fazer o mesmo?
Resposta pronta:
Não filha, então tu não sabes que a avó vive num 3º andar? 

E os melhores momentos dos Óscares foram...


1. Selfie da noite. E a foto mais retweetada de sempre. Tanto, que crashou o twitter.
2. She did it again: Jennifer Lawrence foi ao chão. Começa a ser um clássico. 
3. Melhor piada da noite: Ellen para Jonah Hill "You showed us something in that film that I have not seen for a very, very long time".
4. O discurso político de Jared Leto, com palavras para os "sonhadores da Ucrânia e Venezuela".
5. Lupita Nyong'o, Meryl Streep e Amy Adams a levantarem-se da cadeira para dançar com o Pharell.
6. Ellen a distribuir fatias de pizza pela sala. Pizza party everybody!
7. Discurso de Lupita: "No matter where you're from, your dreams are valid!"
8. Spike Jonze ter ganho o Óscar de melhor argumento original.
9. O girl power de Cate Blanchett, a lembrar aos chefes de Hollywood que os filmes dominados por papéis femininos não fazem dinheiro: "The world is round, people!" 

domingo, 2 de março de 2014

Razões para fugir do carnaval


Body balance

@gym
Ah, a aula de body balance. Combina tai chi, pilates e yoga. É a altura da semana em que esticas os músculos, pões os ossos no lugar, fortaleces as articulações. E no final, há aquela música cósmica, relaxante, que te faz viajar no teu interior. Respirar fundo, deixares-te levar. A paz total. 
Até que a velha ao teu lado se peida.

And the Oscar goes to...

Ai os Óscares! Aqueles prémios que a indústria americana inventou para vender filmes e estrelas. Aquelas estatuetas que premeiam filmes insignificantes e ignoram as verdadeiras obras-primas. Aqueles bonecos dourados que criam a next big thing para, de seguida, estes terem  de aceitar melhores trabalhos na TV para pagarem as contas e conseguir papéis decentes,  Mas não adianta. A cada ano, ficamos tão fascinados por eles, como o Passos Coelho pela Merkel. 

Depois de ver todos os nomeados, aqui ficam as minhas preferências por ordem decrescente: 

1. Her
2. The Wolf of Wall Street
3. 12 Years a Slave
4. American Hustle
5. Dallas Buyers Club
6. Gravity
7. Captain Phillips
8. Nebraska
9. Philomena

Quanto aos prémios, mais coisa menos coisa, devem ficar assim:

Melhor Filme
Quem ganha: 12 Years a Slave.
Quem devia ganhar: Her. É uma história de amor como não víamos há muito. Perfeito retrato do estado das relações, que capta o ar dos tempos. Filme de culto imediato. A marca definitiva de Spike Jonze.

Melhor Realizador
Quem ganha: Alfonso Cuarón.
Quem devia ganhar: Alfonso Cuarón. Desde 2001, Odisseia no Espaço, de Kubrick, que ninguém filmava o espaço com tanto impacto.É um prodígio técnico, que terá ressonância por muito anos.

Melhor Ator
Quem ganha: Matthew McConaughey
Quem devia ganhar: Matthew McConaughey. Por mais que Chiwetel Ejiofor nos tenha emocionado, que Bruce Dern nos surpreendesse ou Leonardo DiCaprio desse o show da sua vida, este ano foi o ano McConaughessance.

Melhor Atriz
Quem ganha: Cate Blanchett
Quem devia ganhar: Cate Blanchett. Ver a meio do ano Blue Jasmine e saber logo ali, de caras, sem a menor dúvida, sem o menor perigo, que, viesse o que viesse, estava ali a melhor atriz do ano. É obra.

Melhor Ator Secundário
Quem ganha: Jared Leto.
Quem devia ganhar: Jared Leto. Se o nome não constasse da ficha técnica seria difícil adivinhar que quem ali está é o vocalista dos 30 Seconds to Mars. E atenção: não foi o primeiro grande papel que ele fez.

Melhor Atriz Secundária
Quem ganha: Lupita Nyong'o
Quem devia ganhar: Jennifer Lawrence. Por ter ganhado o ano passado (não era a melhor), não ganha este ano. Mas é uma força da natureza e ofusca tudo em American Hustle nos minutos que aparece no ecrã.

Para as restantes categorias, será uma injustiça a banda sonora e melhor música não ir para o filme Her (e não irá). Será uma injustiça se o melhor argumento original não for parar às mãos de Spike Jonze (mas irá).
As categorias técnicas são um no brainer, e Gravity sairá com o maior número de Óscares desta cerimónia.





sábado, 1 de março de 2014

"Eat your fish, bitch!"


Entende-se perfeitamente porque August: Osage County não chegou à nomeação para o Óscar de Melhor Filme. Não porque seja mau (a crítica arrasou-o), mas porque são as interpretações que o tiram da linha de água. Meryl Streep e Julia Roberts, rodeadas por secundários de luxo, atiram-se às personagens como Bárbara Guimarães às garrafas de vinho.As duas nomeadas vão sair de mãos a abanar da cerimónia dos Óscares, mas quem ganha com este duelo de titãs somos nós.